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 COMO SE FORMOU O MUSICAL SARACURA? Em novembro de 1975, com um grupo de amigos, fiz a estreia de um espetáculo musical chamado Academia de Dança. Dias depois do evento fui convidado pela amiga em comum, Teresa, a ir ao encontro de um cara que havia gostado do show que viu no Teatro de Câmara, e pediu a ela pra nos apresentar. Fui lá no edifício Apollo, na Ramiro Barcelos, apartamento da família, conhecer o Nico. De cara sentimo-nos "em casa" um com o outro, e fomos direto ao assunto enfileirando canções que havíamos feito. Compusemos "Flor" e fomos formando ao natural, com violão e o piano no quarto do Nico, o que seria um dia repertório musical amplo. Conseguíamos cantar juntos algumas canções, dividir vocais em outras e começamos a achar que soava bem... Chamamos o flautista Paulinho Xavier, convidamos também outro músico, bandolinista. .. este a mãe proibiu! Éramos adolescentes, 17 e 18 anos.    Assim, formamos um trio de acordeom, flauta e violão. Esse tino pra viabilizar as coisas, usando a gaita, de não se render ao imobilismo do piano é a cara do Nico em ação. Éramos cabeludos e nosso amigo, e grande fotógrafo, Sérgio Sakakibara, fazia fotos legais da gente. Íamos cavando espaço.
 Começamos a tocar em algumas mostras de som que aconteciam nas faculdades da UFRGS. Também apareciam por lá o Nei Lisboa e o Boina. Em seguida o Paulinho foi morar no Rio e seguimos em dupla, com o show Catinga Blues! Jocosidades e romantismos....não havia blues algum. Irreverência pela instrumentação e músicas engraçadas e outras muito sérias! Já havia no Nico essa atração pelo espetáculo, sempre gostou de elaborar roteiro, era bailarino .....fui vê-lo dançar espetáculo da Mudança, grupo da Eva Shultz na época. Queríamos ser profissionais, então lá fomos nós fazer o exame da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB). Musicalmente, em comum, desde lá, tivemos o estudo e interesse no conhecimento musical. Isso sempre rendeu conversas longas.Tivemos o mesmo tipo de aprendizado musical, escola clássica e estudamos canto com a ótima Mirtes Landi
 Ouvíamos os discos que a Janete (mãe do Nico) trazia de viagens, coisas portuguesas, gregas, também gostávamos daquelas concepções cruas, sem solos, que caras como Cat Stevens gravavam.  Havíamos concluído o colégio naquele ano, e nunca mais se falou nisso. Acho que decidíamos ali que nosso trabalho era a música. O Nico conheceu o Cláudio Levitan (já havíamos assistido "Em Palpos de Aranha") e ele nos mostrou canções pelas quais nos identificamos de imediato e as incorporamos como nossas. Tocamos do nosso jeito e gostamos.....  Nessa época baixou em minha casa um baiano a fim de tocar por aqui. Compositor importante, Piti tinha parcerias com Gilberto Gil e era maduro musicalmente, o oposto da gente, ainda pirralhos em tudo. O Piti nos ouviu e fez o convite para acompanhá-lo em show a ser criado ainda. Para tal, precisávamos de baixista e percussionista. Por indicação do Cláudio, veio  seu amigo Chaminé, músico respeitado por suas muitas e boas bandas de rock e o De Santana, profissional rodado na cena. Era uma época que se chamava, para parcerias assim, amigos, que chamavam amigos, que chamavam amigos...... afinidades contavam bem mais que especialidades. Uniu-se à ideia a querida e super produtora Sônia Duro, que organizou nossa turnê pelo interior de São Paulo e Curitiba, onde ralamos e nos divertimos em igual dose. Ficávamos longos períodos numa cidade, conhecendo gente e tocando em lugares diversos....doce vida sem compromisso algum.
 Pelo convívio, nos conhecemos mais, e ficamos amigos. Em Curitiba, depois de uma noite no Teatro Guaíra eu, o Chaminé e o Nico pegamos um ônibus rumo à Porto Alegre. .....Naquela madrugada de estrada decidimos montar uma banda, convidar a Gata (Maria Cristina Raimundo, nas baquetas em outras bandas com o Chaminé ) pra bateria e iniciar carreira.    O nome da banda foi decidido em votação na casa da Verinha Vergo, com ela, o Claudio Levitan e a gente elegendo Saracura como nome ideal pra banda. Mais tarde, pra fazer graça, acrescentamos o Musical. Ensaiávamos no porão da casa da família da Gata, na Quintino Bocaiúva, e com essa formação estreamos, em 1977, no Teatro do Círculo Social Israelita (hoje Hebraica). Produção de amigos (Ênio Lindenbaum à frente) mas com roteiro, cenário bonito e som profissional.
 No ano seguinte, com direção do Kleiton Ramil e produção da Ângela Moreira e do Ricardo Nicolayewski (irmão do Nico), retornamos ao Círculo, agora com show e produção mais apurados, para longa e exitosa temporada.  Pouco tempo depois, quando da temporada no Teatro Leopoldina, a Gata saiu do grupo, passando o posto ao meu batera ídolo de Colégio São João, e reconhecido pelo Chaminé como bom músico no cenário roqueiro: Fernando Pezão. Passamos a ensaiar muito, todas as tardes no Círculo Israelita, era nosso ofício.    Nossas músicas já tocavam nas rádios locais e éramos requisitados na mídia. Pela mão do Pezão, chegou o Zé Flávio, que além de muitos shows com a gente, gravou as guitarras do único disco do Musical Saracura. Decidimos gravá-lo de modo independente pela falta de perspectivas em grandes gravadoras, onde investimos sem sucesso. Os shows de lançamento do disco foram marcantes. Logo depois fomos contratados pela Continental Discos (SP) em parceria com a Lira Paulistana.....aí a história se alonga e vai embora...até 1984
 PS - Montamos alguns espetáculos, temporadas em Teatros nesse curto tempo, viajamos muito. Trabalhamos com os diretores Paulo Albuquerque, Cláudio Levitan, Celso Loureiro Chaves. Com os produtores Paco Escajedo, Beth do Val e nossa empresária Ângela Moreira. Tocaram com a gente o Zé Flávio, Léo Henkin, King Jean, Luizinho Santos, De Santana.
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